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Boa leitura!

O que observar na arquitetura antes de escolher um imóvel

Foto do escritor: Marcella Sanches
Marcella Sanches
18 de ago.
4 min de leitura

Uma boa arquitetura vai muito além da estética. E alguns dos pontos mais importantes de um imóvel nem sempre aparecem nas fotos.


É comum entrar em um imóvel e se encantar primeiro com aquilo que chama mais atenção: uma sala ampla, uma vista bonita, bons acabamentos ou uma fachada marcante.


Mas há uma segunda leitura que vale a pena fazer.


Como os ambientes se conectam? A planta aproveita bem a metragem? Há luz natural nos espaços que realmente serão usados durante o dia? Os quartos têm privacidade? A circulação funciona?


São detalhes que podem parecer pequenos durante uma visita, mas que passam a fazer parte da rotina depois.


Começando pela planta


A metragem, sozinha, diz pouco.

Dois apartamentos de 250 m² podem ter aproveitamentos completamente diferentes. Um pode ter uma área social generosa e quartos bem proporcionados; outro pode perder muitos metros em corredores ou ter ambientes difíceis de integrar.


Por isso, olhar a planta ajuda bastante a entender o imóvel antes mesmo da visita.

Também é interessante observar o que poderia ser transformado. Às vezes, um imóvel que não impressiona imediatamente tem uma ótima planta e permite uma reforma muito interessante. Em outros casos, uma decoração impecável pode chamar toda a atenção e fazer com que algumas limitações passem despercebidas.


Uma boa planta também depende de quem vai morar ali


Esse talvez seja um dos pontos mais importantes: não existe uma configuração perfeita para todos.


Uma cozinha integrada pode ser exatamente o que procura uma família que gosta de cozinhar e receber. Para outra, separar a cozinha da área social pode ser indispensável.

O mesmo acontece com o tamanho dos quartos, a presença de um escritório ou uma simples escrivaninha (como já aconteceu com alguns clientes), a integração com a área externa, a quantidade de ambientes sociais ou até a posição da suíte principal.


Cada pessoa tem uma rotina, hábitos e prioridades diferentes.


Por isso, analisar uma planta não significa procurar um modelo ideal, mas entender se aquele imóvel funciona para a vida de quem pretende ocupá-lo.


Um bom imóvel não precisa funcionar para todos. Precisa funcionar para quem vai viver nele.


E a luz?


Esse é outro ponto que as fotografias de um anúncio nem sempre conseguem mostrar.


Um ambiente pode parecer extremamente claro nas imagens e apresentar uma condição bastante diferente dependendo do horário da visita. Orientação solar, tamanho das aberturas e construções vizinhas interferem nessa percepção.

E não se trata apenas da sala.


A maneira como a luz entra nos quartos pela manhã, a iluminação da cozinha durante o dia ou a posição de um espaço de trabalho também fazem parte da experiência de morar.


Para algumas pessoas, acordar com o sol entrando no quarto é uma qualidade. Para outras, não faz diferença, ou pode até ser algo que preferem evitar.


Mais uma vez, a escolha passa pelo estilo de vida.


Como os ambientes se relacionam?


Uma boa circulação muitas vezes é percebida mais pela sensação do que pelos números.

Vale imaginar situações comuns enquanto se visita um imóvel: chegar com compras, receber amigos, reunir a família, trabalhar em casa ou simplesmente circular entre o quarto e as áreas sociais.


Em uma casa, a conexão entre sala, jardim e piscina pode ser muito importante. Em um apartamento, a relação entre living, varanda e cozinha pode mudar completamente a forma de utilizar a área social.


Não existe necessariamente uma solução melhor. Existe a que combina mais com aquela rotina.


Privacidade também importa


Amplitude e integração costumam chamar bastante atenção, principalmente em imóveis de alto padrão. Mas privacidade pode ser igualmente importante.


A separação entre as áreas social, íntima e de serviço, a posição das suítes e a relação das janelas com os imóveis vizinhos são detalhes que merecem ser observados.


Em apartamentos, até a posição da unidade dentro do edifício pode mudar bastante a experiência: vista, ruído, incidência solar e proximidade com outros prédios variam mesmo entre imóveis localizados na mesma região.


Materiais e acabamentos


Madeira, pedras naturais, grandes esquadrias e acabamentos sofisticados valorizam um projeto e naturalmente chamam atenção durante uma visita.


Mas vale olhar um pouco além da aparência...


Como esses materiais foram utilizados? Qual é o estado de conservação? Fazem sentido para aquele ambiente e para a rotina de quem vai morar ali?


Também é interessante separar aquilo que pode ser facilmente transformado daquilo que pertence à essência do imóvel.


Mobiliário, decoração, cores e alguns acabamentos podem mudar. Alterar uma planta, aumentar a entrada de luz ou resolver determinadas limitações estruturais já pode envolver uma intervenção muito maior.


O entorno também faz parte do imóvel


A experiência de morar não termina na porta de casa.


A relação com a rua, a presença de árvores, as construções vizinhas, o nível de privacidade, a vista e a própria dinâmica do bairro também influenciam uma escolha.


Às vezes, dois imóveis na mesma rua proporcionam experiências completamente diferentes.


É por isso que conhecer um imóvel também significa entender um pouco do que existe ao redor dele, e como aquele endereço se encaixa na rotina desejada, principalmente no quesito trabalho e escola (para quem tem filhos ou estuda).


imagem de uma casa onde a sala é integrada com quintal e living

No fim, a escolha é muito pessoal


Arquitetura, localização, metragem e qualidade construtiva ajudam a avaliar um imóvel. Mas nenhuma dessas características, isoladamente, determina se ele é a escolha certa.

Há quem queira uma casa cheia de movimento e espaços para receber. Há quem procure silêncio e privacidade. Algumas pessoas sonham com um grande jardim; outras não querem ter a responsabilidade de cuidar de um. Para uma família, estar perto da escola dos filhos pode mudar completamente a decisão. Para outra, o mais importante pode ser reduzir o tempo até o trabalho.


Talvez seja justamente essa uma das partes mais interessantes de conhecer imóveis: perceber que uma característica que não faria sentido para uma pessoa pode ser exatamente aquilo que outra estava procurando.


No fim, escolher bem não é encontrar o imóvel perfeito. É encontrar aquele que faz sentido para a vida que se pretende viver.


E para você, o que é prioridade na escolha de um imóvel? Há uma frase conhecida que resume bem essa reflexão: “Quem não sabe o que quer, qualquer coisa serve.”

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